Mapa de férias, o que a lei pede e como deixar de o gerir em Excel

Todos os anos, algures entre março e abril, repete-se o mesmo ritual em muitas PME portuguesas. Alguém abre a folha de cálculo do ano anterior, apaga as datas antigas, envia um email à equipa a pedir as preferências e passa as semanas seguintes a juntar respostas que chegam por email, por mensagem e de viva voz. No fim há um mapa, mas ninguém tem a certeza de que está certo.

O mapa de férias não é só uma questão de organização interna. É uma obrigação legal com prazos concretos, e numa equipa de 10, 20 ou 40 pessoas é também a peça que impede que duas pessoas essenciais saiam na mesma semana.

O que a lei pede ao empregador

As regras gerais estão no Código do Trabalho, sobretudo nos artigos 238.º e 241.º. Em termos simples, e para a generalidade das empresas, são estas:

Este resumo não substitui aconselhamento jurídico. Se a sua empresa estiver abrangida por um contrato coletivo de trabalho, confirme com o seu contabilista ou advogado, porque as regras podem ser diferentes.

Onde o Excel começa a falhar

Uma folha de cálculo aguenta bem o mapa de uma equipa de cinco pessoas. A partir daí, os problemas aparecem sempre nos mesmos sítios.

O que um bom processo de férias tem

Não é preciso nada de sofisticado. Um processo de férias que funcione numa equipa tem, no essencial, cinco peças.

  1. Um pedido registado, com datas, feito pelo próprio colaborador, em vez de uma mensagem solta.
  2. Um saldo visível para o colaborador e para o gestor, atualizado sozinho a cada pedido aprovado.
  3. Uma aprovação com dono, que fica registada com a data e o nome de quem aprovou.
  4. Um calendário da equipa, onde se veem as sobreposições antes de aprovar e não depois.
  5. Um mapa pronto a afixar, gerado a partir dos pedidos aprovados, em vez de copiado à mão.

Com estas cinco peças, o mapa de 15 de abril deixa de ser um projeto de duas semanas e passa a ser uma exportação.

Como montar o processo numa tarde

A mudança corre melhor quando se faz por esta ordem.

  1. Defina os tipos de ausência que usa de facto (férias, falta justificada, formação, baixa) e não mais do que isso.
  2. Carregue o saldo de cada pessoa uma única vez, incluindo os dias que transitaram do ano anterior.
  3. Decida quem aprova os pedidos de cada equipa e quem substitui essa pessoa quando ela está de férias.
  4. Peça a cada colaborador que registe os seus próprios pedidos. É o passo que tira o trabalho de quem hoje junta as respostas.
  5. Publique o calendário à equipa inteira, para que cada um veja quando os colegas estão fora antes de fazer o pedido.

Na Engibots gerimos as férias no Engi360, a plataforma que criámos para a nossa própria operação, onde pedidos, saldos, aprovações e calendário ficam no mesmo sítio que as horas e os projetos. Seja qual for a ferramenta, o que interessa é que o mapa deixe de depender de uma folha de cálculo que só uma pessoa sabe atualizar.