Como automatizar a reconciliação bancária numa empresa

Automatizar a reconciliação bancária é pôr um sistema a ler cada movimento do extrato, a procurar a fatura que lhe corresponde e a propor a conciliação, com a justificação de cada proposta. A equipa deixa de conferir o extrato linha a linha e passa a olhar apenas para os movimentos em que a correspondência não é clara.

Na maioria das PME, a reconciliação faz-se no fim do mês, com o extrato aberto num ecrã e o ERP noutro. É um trabalho de atenção, não de decisão. A maior parte dos movimentos tem uma fatura evidente, e o tempo vai-se a confirmar o óbvio. Quando o volume cresce, o fecho atrasa e os poucos movimentos que mereciam análise ficam misturados com centenas que não a pediam.

O que é a reconciliação bancária e porque continua a ser manual?

A reconciliação bancária é a confrontação dos movimentos do extrato com os registos da empresa. Cada recebimento tem de corresponder a uma fatura de cliente, cada pagamento a uma fatura de fornecedor, e cada comissão ou juro tem de ficar lançado. No fim, o saldo do banco e o saldo da contabilidade têm de se explicar um ao outro.

Muitos ERP já sugerem correspondências quando o valor e a referência coincidem. O que fica para as pessoas são os restantes casos, e são esses que consomem o tempo.

Como funciona a reconciliação bancária automática, passo a passo?

Um processo bem desenhado segue sempre a mesma sequência, com as pessoas apenas no ponto em que fazem falta.

  1. O extrato chega. O processo pode arrancar a uma hora marcada, todos os dias, e um RPA inteligente pode ir buscar o extrato ao portal do banco quando não há integração disponível.
  2. Cada movimento é lido. O valor, a data, o descritivo e a entidade ficam identificados, com a indicação de onde cada dado foi lido.
  3. Procura-se a fatura. A plataforma cruza o movimento com as faturas em aberto no ERP, segundo as regras definidas pela empresa.
  4. Propõe-se a conciliação. Cada proposta vem justificada, com o que foi confirmado e o que ficou por confirmar.
  5. A equipa decide o que não é claro. Os movimentos sem correspondência evidente chegam a uma pessoa já preparados, com as faturas candidatas encontradas.
  6. Cada correção ensina. As correções da equipa passam a orientar os casos seguintes.

Que critérios usa a correspondência entre movimentos e faturas?

A correspondência não deve depender de intuição. Deve seguir critérios escritos, que a equipa conhece e pode ajustar.

CritérioO que se comparaQuando não chega
ValorO montante do movimento com o total da faturaPagamentos parciais ou agrupados
ReferênciaO número da fatura no descritivo da transferênciaTransferências sem referência
EntidadeO nome de quem pagou ou recebeuNomes abreviados ou pagamentos feitos por terceiros
DataA data do movimento com o vencimento da faturaPagamentos adiantados ou muito atrasados

Quando dois ou mais critérios coincidem, a proposta é forte. Quando só um coincide, ou quando há mais do que uma fatura candidata, o movimento deve ir a uma pessoa. As regras são da empresa, e convém que fiquem guardadas com versões, para se saber sempre que regra foi aplicada a cada caso.

O que deve ficar para a IA e o que deve ficar para as regras?

A inteligência artificial é útil para ler. Um descritivo como «TRF FT 145» ou um nome abreviado lê-se melhor com IA do que com uma regra fixa. Mas a decisão de conciliar não deve ser deixada a um modelo que se pode enganar com toda a confiança.

No EngiAIFlow, essa separação está na base da plataforma. A IA propõe, e a plataforma decide o que se executa.

Para a direção financeira, isto significa que cada conciliação pode ser explicada. O histórico de cada caso regista o que foi feito em cada passo e cada decisão humana, com a alteração e o motivo.

Como fica na prática? Um exemplo

Imagine uma empresa industrial com três contas bancárias e cerca de 800 movimentos por mês. Hoje, uma pessoa da contabilidade descarrega os extratos de cada portal, abre o ERP e concilia movimento a movimento, durante vários dias no início de cada mês.

Com o processo automatizado, os extratos são recolhidos todos os dias, e a maior parte dos movimentos chega à manhã seguinte com a fatura correspondente já proposta e justificada. A pessoa abre a lista dos que pedem atenção, onde estão as transferências sem referência, os pagamentos agrupados e as comissões, e decide esses. O fecho deixa de começar do zero, porque o mês foi sendo reconciliado ao longo do caminho.

Por onde começar?

A reconciliação é um bom primeiro processo para automatizar, porque as regras já existem na cabeça de quem a faz e o resultado é fácil de verificar. Antes de escolher uma ferramenta, vale a pena responder a quatro perguntas.

  1. Quantos movimentos por mês, em quantos bancos, e como chega hoje cada extrato?
  2. Que parte dos movimentos tem uma referência ou um valor que identifica a fatura sem dúvida?
  3. Que casos levam hoje mais tempo, e quem decide cada um?
  4. A solução trabalha sobre o ERP atual, ou obriga a mudar de sistema?

O EngiAIFlow liga-se ao ERP, ao email e às restantes ferramentas sem substituir sistemas, e trata a reconciliação bancária como um dos seus processos, ao lado da conferência de faturas de fornecedor. Os processos e a governança estão descritos na página do EngiAIFlow.

Perguntas frequentes

O que é a reconciliação bancária?

É a confrontação dos movimentos do extrato bancário com os registos da empresa, para que cada recebimento e cada pagamento corresponda a uma fatura e o saldo do banco se explique pelo saldo da contabilidade.

A inteligência artificial decide que fatura corresponde a cada movimento?

No EngiAIFlow, não. A reconciliação é feita pela plataforma, sem IA, segundo as regras da empresa. Os movimentos em que a correspondência não é clara vão a uma pessoa.

Como chega o extrato ao sistema?

O processo pode arrancar a uma hora marcada, e quando não há integração disponível um RPA inteligente vai buscar o extrato ao portal do banco. As credenciais ficam cifradas e não são enviadas ao modelo.

O que acontece a um pagamento que liquida várias faturas?

Se as regras não o resolverem com segurança, o movimento chega à equipa com as faturas candidatas já encontradas, e uma pessoa decide.

É preciso mudar de ERP?

Não. O EngiAIFlow liga-se ao ERP que a empresa já usa, sem substituir sistemas, e propõe a conciliação sobre as faturas que lá estão.