Como verificar as respostas de uma IA sobre os dados da empresa

Para saber se a resposta de uma ferramenta de inteligência artificial sobre os dados da empresa está certa, é preciso conseguir ver três coisas, a consulta que a ferramenta executou, os dados que essa consulta devolveu e a definição usada para cada indicador. Se a ferramenta mostra as três, qualquer número se confirma em poucos minutos. Se só mostra a resposta final, confia-se às cegas.

As ferramentas de análise em linguagem natural tornaram simples perguntar «quanto vendemos no último trimestre, por região?». O desafio passou a ser outro. Uma resposta escrita com segurança não é necessariamente uma resposta certa, e numa reunião de direção um número errado custa mais do que a falta de um número.

Porque é que uma IA pode errar ao responder sobre os dados da empresa?

Quando alguém faz uma pergunta em linguagem natural, a ferramenta traduz essa pergunta numa consulta à base de dados, normalmente em SQL, executa-a e apresenta o resultado. O erro pode entrar em qualquer um destes passos.

Nenhum destes erros é exclusivo da inteligência artificial. Um relatório preparado à mão numa folha de cálculo corre os mesmos riscos. A diferença é que a IA responde depressa e com aparente certeza, e por isso a verificação tem de estar desenhada na própria ferramenta, em vez de depender da desconfiança de quem lê.

Como verificar uma resposta, passo a passo

Estes cinco passos servem para qualquer ferramenta de análise de dados com IA e levam poucos minutos.

  1. Reler a pergunta como a ferramenta a entendeu. Uma boa resposta diz, em linguagem natural, o que a consulta devolve. Se essa descrição não corresponde ao que se queria saber, o problema está na pergunta e não nos dados.
  2. Abrir a consulta. Ver que tabelas foram lidas, que filtros foram aplicados e que período foi considerado. Não é preciso saber escrever SQL para reparar que falta um filtro de datas ou que a tabela lida é a dos orçamentos quando se perguntou pelas faturas.
  3. Olhar para os dados devolvidos. O número da resposta tem de estar na tabela de resultados. Se a frase fala de um valor que não aparece nos dados, há motivo para desconfiar.
  4. Comparar com um número conhecido. O total de um mês já fechado, a faturação de um cliente que se conhece bem ou o valor de um relatório oficial servem de referência rápida.
  5. Fazer a mesma pergunta de outra forma. Se «faturação de setembro» e «total faturado entre 1 e 30 de setembro» dão números diferentes, há uma definição por esclarecer.

Porque é que a consulta e os dados devolvidos têm de estar à vista?

Uma ferramenta que só mostra a resposta final pede um ato de fé. Uma ferramenta que mostra a consulta e os dados devolvidos permite uma verificação. É esta a diferença entre uma caixa negra e um instrumento de trabalho. Na prática, a transparência tem três níveis.

NívelO que se vêO que permite
Só a respostaUm número ou uma fraseAceitar ou rejeitar, sem saber porquê
Resposta e dadosA tabela com o resultado da consultaConfirmar que o número está nos dados
Resposta, dados e consultaA tabela e a consulta que a produziuConfirmar de onde vem cada número e repetir a consulta noutra ferramenta

Para decisões financeiras ou comerciais, só o terceiro nível chega. É também o único que permite a quem gere os sistemas corrigir uma consulta e reutilizá-la. Para uma comparação mais ampla entre formas de consultar os dados, pode ler o nosso artigo sobre análise conversacional e dashboards.

Como evitar respostas certas à pergunta errada

O erro mais comum não é a IA inventar um número. É responder corretamente a uma pergunta ligeiramente diferente da que se queria fazer. Isto resolve-se mais com organização do que com tecnologia.

Quem pode perguntar o quê, e o que fica registado?

Confiar numa resposta também passa por saber quem a pediu e a que dados teve acesso. Duas perguntas ajudam a avaliar qualquer ferramenta.

Um exemplo prático numa empresa de distribuição

Imagine uma empresa de distribuição em que o diretor financeiro pergunta «qual foi a margem por região no terceiro trimestre?». A ferramenta responde com um gráfico de barras e uma frase a dizer que a região Norte teve a margem mais alta. Antes de levar o gráfico à reunião de direção, o diretor abre a consulta e repara que as notas de crédito não foram descontadas. Volta a perguntar, agora «margem por região no terceiro trimestre, descontadas as notas de crédito», e o Norte desce para segundo lugar.

Neste exemplo, a ferramenta não errou. Respondeu à pergunta que lhe foi feita. Foi a consulta à vista que permitiu perceber que a pergunta precisava de ser mais precisa, antes de a conclusão errada chegar à reunião.

É assim que funciona o EngiAnalytics, a plataforma de análise de dados conversacional da Engibots. Cada resposta traz uma frase em linguagem natural a dizer o que a consulta devolve e, se essa frase citar um número que não está nos dados devolvidos, o leitor é avisado. A consulta SQL que deu origem a cada resposta pode ser aberta e copiada, ao lado da tabela com os dados devolvidos. Os perfis de acesso definem, tabela a tabela, o que cada pessoa pode consultar, e uma pergunta fora desse âmbito é recusada de imediato. Todas as perguntas ficam registadas com quem perguntou, a fonte, a consulta executada, o número de linhas devolvidas, a duração e o desfecho, e os dados devolvidos não ficam guardados. A descoberta exploratória percorre a base de dados à procura de inconsistências e mostra o que merece ser corrigido antes de chegar a um relatório.

Perguntas frequentes

Uma IA pode inventar números sobre os dados da empresa?

Pode, sobretudo no texto que acompanha a resposta. Por isso a ferramenta deve mostrar os dados devolvidos pela consulta e avisar quando a frase cita um número que não está nesses dados.

É preciso saber SQL para verificar uma resposta?

Não. Basta ver que tabelas foram lidas e que filtros e período foram aplicados. Quem gere os sistemas pode copiar a consulta e repeti-la noutra ferramenta quando for preciso confirmar.

Qual é o erro mais comum nas respostas de IA sobre dados?

Responder corretamente a uma pergunta ligeiramente diferente da pretendida, por exemplo vendas com IVA quando se queria sem IVA. Definições escritas dos indicadores principais evitam a maior parte destes casos.

Como se controla o que cada pessoa pode perguntar?

Com perfis de acesso definidos tabela a tabela. Uma pergunta fora desse âmbito deve ser recusada sem expor a informação reservada.

Que informação deve ficar registada de cada pergunta?

Quem perguntou, a fonte, a consulta executada, o número de linhas devolvidas, a duração e o desfecho. Com isso é possível reconstituir de onde veio qualquer número apresentado numa reunião.