Que indicadores deve uma PME acompanhar e como os escolher

Uma PME deve acompanhar poucos indicadores, normalmente entre cinco e dez, escolhidos a partir das decisões que a direção toma todos os meses. Cada indicador precisa de uma definição escrita, de dados fiáveis, de um responsável, de uma frequência e de uma direção clara, ou seja, se subir é bom ou mau. O resto ocupa espaço no painel e tira atenção ao que importa.

Muitas empresas começam pelo contrário. Abrem o ERP ou a folha de cálculo, veem dezenas de números possíveis e montam um painel com todos. Passados dois meses, já ninguém olha para ele. Este artigo explica o que é um bom indicador, que indicadores fazem sentido em cada área, como escolher os que ficam e como acompanhá-los sem pedir um relatório novo todas as semanas.

O que é um indicador de gestão?

Um indicador de gestão, ou KPI (do inglês key performance indicator), é um número que mostra se uma parte do negócio está a evoluir no sentido pretendido. Tem sempre uma fórmula, um período e uma comparação, seja com o mês anterior, com o mesmo mês do ano passado ou com um objetivo.

Um número solto não é um indicador. Por exemplo, «vendas de 420 mil euros» informa, mas «vendas de 420 mil euros, menos 6% do que no mesmo mês do ano passado» já pede uma reação. A diferença está na comparação e na pergunta que o número ajuda a responder.

Que indicadores fazem sentido em cada área?

Não há uma lista universal, mas há indicadores que aparecem em quase todas as PME. A tabela reúne alguns exemplos por área, como ponto de partida e não como lista para copiar.

ÁreaExemplos de indicadoresPergunta a que respondem
ComercialVendas por cliente e por produto, margem por família, taxa de conversão de propostasOnde estamos a ganhar e a perder dinheiro?
FinanceiraPrazo médio de recebimento, prazo médio de pagamento, tesouraria previstaTemos dinheiro para os próximos meses?
OperaçõesEncomendas entregues no prazo, rotação de stock, desperdício ou retrabalhoEstamos a cumprir o que prometemos ao cliente?
ComprasVariação de preço por fornecedor, prazo de entrega dos fornecedoresOs custos estão sob controlo?
PessoasHoras por projeto ou por encomenda, absentismoA equipa está a trabalhar no que dá resultado?

O ponto de partida certo não é a tabela, é a lista das decisões. Se a direção decide todos os meses que clientes visitar, que produtos promover e que compras adiar, os indicadores devem servir exatamente essas decisões.

Como escolher os indicadores que ficam?

Antes de um indicador entrar no painel, vale a pena confirmar cinco critérios.

  1. Serve uma decisão. Se o número mudar, alguém faz algo diferente. Se ninguém mudaria nada, o indicador é curiosidade e não gestão.
  2. Os dados existem e são fiáveis. Um indicador calculado sobre dados incompletos gera discussões sobre o número em vez de decisões. Confirme que os dados estão no ERP, no CRM ou num ficheiro mantido com regularidade.
  3. Tem uma definição escrita. A margem pode ser bruta ou líquida, com ou sem portes. Uma frase escrita evita duas versões do mesmo número na mesma reunião.
  4. Tem um responsável e uma frequência. Alguém responde por ele e sabe quando o deve ler, todos os dias, todas as semanas ou no fecho do mês.
  5. Tem uma direção definida. Fica claro, para cada indicador, se subir é bom ou mau.

Na dúvida, menos é mais. É melhor acompanhar seis indicadores com atenção do que trinta sem ninguém olhar para eles. Um indicador pode sempre entrar mais tarde, quando a primeira lista estiver a funcionar.

Porque é que a direção de cada indicador importa?

Parece óbvio, mas não é. Mais vendas é bom. Mais prazo médio de recebimento é mau. Mais stock pode ser bom antes de uma época forte e mau no resto do ano. Quando a direção não está definida, cada pessoa lê a mesma variação à sua maneira, e o painel deixa de ajudar.

Definir a direção também permite que a ferramenta faça uma parte do trabalho. Se o sistema sabe que, num indicador, subir é mau, pode assinalar a subida como negativa sem ninguém a ter de interpretar. Sem essa indicação, o mais honesto é descrever a variação sem a julgar.

Como acompanhar os indicadores sem depender da equipa de TI?

O problema mais comum não é escolher os indicadores, é mantê-los atualizados. Em muitas PME, cada número novo é um pedido a quem sabe tirar dados do ERP, e a resposta chega dias depois, numa folha de cálculo que ninguém atualiza no mês seguinte.

Uma plataforma de análise de dados conversacional muda este circuito. No EngiAnalytics, quem analisa faz a pergunta em linguagem natural e recebe a resposta no momento, sem SQL e sem depender da equipa de dados. A partir daí, o acompanhamento faz-se de três formas.

Funciona sobre os dados que a empresa já tem, em bases de dados MySQL e PostgreSQL e em ficheiros Excel e CSV, sem migração nem substituição de sistemas. Sobre os avisos automáticos, pode ler também o artigo sobre alertas automáticos de KPI.

Um exemplo prático

Imagine uma empresa de distribuição com 80 pessoas, em que a direção se reúne no início de cada mês. A reunião começa com uma folha de cálculo de 40 colunas, preparada à mão durante dois dias, e metade do tempo passa-se a discutir de onde vem cada número.

A direção decide reduzir a lista a seis indicadores, um por decisão.

  1. Vendas do mês face ao mesmo mês do ano anterior, para decidir onde reforçar a equipa comercial.
  2. Margem por família de produto, para decidir que produtos promover.
  3. Prazo médio de recebimento, para decidir que clientes contactar.
  4. Encomendas entregues no prazo, para decidir onde mexer na operação.
  5. Rotação de stock, para decidir que compras adiar.
  6. Tesouraria prevista a três meses, para decidir investimentos.

Cada indicador fica com uma frase de definição, um responsável e a direção marcada. Passa a estar num painel que cada diretor abre quando quer, e as perguntas que surgem na reunião respondem-se ali mesmo, em vez de ficarem para o mês seguinte.

Para começar na sua empresa, faça a lista das cinco ou seis decisões mais frequentes da direção. Para cada uma, escolha o número que a ajudaria a decidir melhor, escreva a definição, confirme que os dados existem e marque a direção. Experimente durante dois ou três meses e ajuste. Um painel pequeno e usado vale mais do que um painel completo e esquecido.

Perguntas frequentes

Quantos indicadores deve uma PME acompanhar?

Normalmente entre cinco e dez. Mais do que isso dispersa a atenção, e um painel com dezenas de números acaba por não ser consultado. É melhor começar com poucos e acrescentar quando a primeira lista estiver a funcionar.

Qual é a diferença entre uma métrica e um indicador?

Uma métrica é qualquer número que se pode medir. Um indicador é uma métrica escolhida porque ajuda a tomar uma decisão, com definição, período, comparação e responsável.

Com que frequência se devem ler os indicadores?

Depende da decisão que servem. Indicadores de tesouraria ou de encomendas podem pedir leitura semanal ou diária, e os de margem ou de vendas costumam ler-se no fecho do mês. A própria lista deve ser revista uma ou duas vezes por ano.

O que é a direção de um indicador?

É a indicação de se subir é bom ou mau. Sem ela, a mesma variação pode ser lida de formas opostas, e uma ferramenta não consegue assinalar a evolução como positiva ou negativa.

O EngiAnalytics sugere indicadores?

Sim. Identifica as áreas de negócio presentes nos dados e propõe indicadores para cada uma, só com o que verificou nos dados reais. Basta aceitar uma proposta para o indicador passar a ser acompanhado desde o primeiro dia.